mardi 13 septembre 2011

carta de Inez a Pedro


Pedro,

Depois de arder em estàtua, numa tumular exibiçao,
amortalhada e virada a norte, sofro desta eternidade em mim.
Hà horas em que sinto os anjos enrolarem-se –me ao pescoço,
e de noite, quando todos os que aqui vieram sonhar com o nosso maior amor, face a face, se apartam e voltam para viver as suas vidas em consolos mùtuos, estas pedras se dobram por mim. Sacodem-se com sùbitos ares de guardadores de um grave tesouro, e assopram o po que em que se desfazem o meu vestido e suas rendas.
Fixo o céu, penso que a tua morte se pica destes residuos, que eles se esforçam por nos adornarem em conjunto, com as joias do tempo a traçarem o meu destino de Rainha Morta.
Por ti, para ti, ainda me sei perder.

Esperando que a sorte desta roda da fortuna, te obrigue à minha mao,.
Até ao derradeiro julgamento, levo-me a mim, à minha alma, à Quinta e espero là por ti.
Responde a esta carta, com mil beijos te deixo.

Inez, Paris, 13 de Setembro de 2011

2 commentaires:

Virgínia Jorge a dit…

Belo!!

LM,paris a dit…

cartas de amor, une histoire d'amour avec deux absences...plus une.
LM