mercredi 20 mai 2009

Des mains habiles


« Ô douces querelles d’amants,

roulez sur ma peau, offrez-moi votre distant passé,

attendrissez mon cœur.

Ma raison possède des mains moins habilles que vos récits.

De l’eau sur de l’eau coule et emballe ma nuit.

Brisez l’horizontale attente qui me couche,

offerte aux regards de tous.

Libérez mon âme, laissez-moi emballer mon amant, son masque,

pour écouter le jugement qui nous rendra au monde :

face à face, Até ao fim do mundo. «

Inez, Lisbonne , 25.O6.O1

vendredi 8 mai 2009

carta de amor


UMA CARTA DE AMOR NUM CORPO DE APONTAMENTO UNIVERSAL

Uma lingua fora da Historia.



A vibraçao da vida esta para além do silêncio.

A lenda atràs do mito é uma palavra exposta,

Uma a lingua fora da historia.

A tragédia reside numa espécie de infinito.





O mito resiste ao movimento da roda da fortuna

Que enrola e pica,

Obliquando a narraçao .

Fica a renda de orgulho suspensa no abismo

Que a dança provoca.

Ficamos suspensos, abrindo à historia

O nome dos amantes. Voltarei entao com o mar nos braços,

Para lhe lavar o corpo e devolver-lhe
o rosto mordido pelo cao.

“ Branca e leve, leve e pura…”

Inez, cénicamente ressuscitada existe na mascara

Que me oculta.

Somos multiplos, continuamente.


LM, 6 de Maio de 2009-05-06 Paris

lidia martinez




LMartinezdansethéâtrecie

lmartinezcie@yahoo.fr

www.autre-cas.blogspot.com

www.cartasdeamordepedroeinez

mercredi 1 avril 2009

NUMA RENDA DE ORGULHO


Comemorações do dia Mundial da Dança

(29 e 30 de ABRIL 2009 – 21h30)

AUDITÓRIO MUNICIPAL EUNICE MUÑOZ

Para marcação de bilhetes (a partir de 1 de Abril )

Entrada Livre limitada à lotação do espaço.

Reservas por telefone - 214 408 547/ 214 408 524

Por mail - maria.gil@cm-oeiras.pt

APRESENTAÇÃO DOS ESPECTÁCULOS no CAFÉ da DANÇA

– Centro de Dança de Oeiras (Palácio Ribamar – Algés)

Dia 14 de ABRIL - 18h00

A Câmara Municipal de Oeiras, a Revista da Dança e o Centro de Dança de Oeiras associam-se para as comemorações do Dia Mundial da Dança de 2009 estreitando laços para homenagear alguns artistas portugueses que, pelas mais diversas razões, têm dignificado a dança em Portugal e no estrangeiro.

Entre eles contam-se Águeda Sena e Bernardete Pessanha - bailarinas pertencentes a uma geração pioneira da dança portuguesa - Graça Bessa e António Rodrigues, fundadores da Academia da Dança de Setúbal e da Companhia de Dança Contemporânea, Isabel Queiroz, bailarina principal do Ballet Gulbenkian (a título póstumo), Lídia Martinez, coreografa-bailarina que fez toda a sua carreira em França, Olga Roriz, bailarina-coreógrafa directora da sua própria companhia, Benvindo Fonseca, ex-bailarino principal do Ballet Gulbenkian e coreógrafo, Sílvia Nevjisnky, antiga bailarina das companhias de Paul Taylor e Lar Lubovitch e Alexandra Bataglia, bailarina e coreógrafa fundadora da Companhia Amálgama.

O seu trabalho, nem sempre devidamente reconhecido e suficientemente valorizado, merece, contudo, ser lembrado por aqueles com quem partilharam os palcos e que deles, generosamente, receberam gratificação artística e intelectual.

Quantas vezes em condições adversas, todos carregaram a tocha do "fogo sagrado" ultrapassando dificuldades, designadamente físicas e económicas, e mostrando uma inusitada perseverança e um forte amor pela sua arte.

Todos eles trilharam caminhos com obstáculos demonstrando coragem perante as adversidades e, acima de tudo, uma especial integridade no seu trabalho. Aquela de que se fazem os verdadeiros artistas.

Com este modesto contributo, as entidades patrocinadoras destes espectáculos - às quais se junta a comunidade da dança portuguesa -, esperam contribuir para dignificar a arte da dança. E também para que os artistas mais jovens vejam nos homenageados (bem como nos participantes) exemplos ímpares de trabalho, realização artística e, até, espírito de missão.

António Laginha

PROGRAMA do Dia 29 de Abril

18H00

Inauguração da Exposição ISABEL QUEIROZ – Uma Vida Dedicada à Dança e ao Ballet Gulbenkian

Inauguração de Exposição Uma Carta Coreográfica

Espectáculo de Dança

21h30

Primeira Parte:

Leitura da MENSAGEM do DIA MUNDIAL DA DANÇA (UNESCO) – António Laginha

Mensagem do Dia Mundial da Dança 29 ABRIL – 2009

Da autoria do bailarino-coreógrafo Akram Khan

Este dia muito especial é dedicado à única linguagem que, neste mundo, cada um de nós sabe falar. Uma linguagem inerente aos nossos corpos e às nossas almas, a dos nossos antepassados e dos nossos filhos.Este dia é dedicado a cada deus, guru ou avê que nos ensinou e inspirou. A cada cântico, impulso e instante, que nos incitou a mexer.É dedicado à criança que gostaria de se movimentar como o seu ídolo e à sua mãe que lhe diz “já o podes fazer”.Este dia é dedicado a cada ser com o seu credo, cor e cultura, que transforma as tradições do seu passado em histórias do presente e sonhos para o futuro.Este dia é dedicado à Dança. À sua miríade de dialectos e ao seu imenso poder de exprimir, de transformar, de unir e de deliciar.

Cerimónia de Homenagem

a LÍDIA MARTINEZ, SÍLVIA NEVJINSKY, BENVINDO FONSECA e ALEXANDRA BATAGLIA

apresentados respectivamente por Maria Reis Lima (bailarina-corógrafa), José Carmo Garcia (arquitecto), Barbara Griggi (bailarina-coreógrafa) e Risoleta Pinto Pedro (escritora)

Com projecção de fotos/ filme sobre cada homenageado

e distribuição de medalhas (António Laginha, pela Revista da Dança e representante da CMO)

Segunda Parte :

1 - Companhia Olga Roriz / Maria Cerveira – excerto de "Inferno" (canção por Amália Rodrigues)

2 - Manuel André e Inês Ferreira - “Nijinsky ou o Sentimento” (estreia absoluta)

3 - Tarikavalli – solo de Bharata Natyam – estreia absoluta

4 - Sílvia Magalhães (solo de obra de Thierry Malandin)

5 - Lídia Martinez - “Numa Renda de Orgulho” (estreia absoluta)

6 - Adriana Queiroz e Henrique Feist - dueto do musical "Cabaret"

7 - Ana Santos – “Murmúrio”

8 - Maria João Roldão - “3 Valsas Isadoráveis"

9 - Companhia Amálgama - extracto de "Mater"


Dia 30, um programa de Dança Clàssica,

consultar a informaçao no Centro de Dança de Oeiras.

jeudi 12 mars 2009

DIA MUNDIAL DA Dança

DIA MUNDIAL da Dança, 29 de Avril de 2009
Solo: " Numa renda de orgulho"

Um solo de Lidia Martinez,
o décimo sexto espectàculo
sobre o mito de Inez de Castro,

Desde 1984 Lidia martinez trabalha neste tema
e apresenta em vàrios paises do mundo peças coregràficas
inspiradas pela historia de amor entre Pedro e Inez.

Dia 29 de Abril às 21H 30', no auditorio Eunice Munoz,
em Oeiras um programa de dança contemporanea
vos serà apresentado.
Passarei todas as informaçoes num outro post.
Merci et à bientôt!
LM


vendredi 6 mars 2009

Carta de Amor de Inez a Pedro ( extracto)


Agudo o grito do pavão branco que se passeia por perto.
Estranha a beleza que me envolve nesse instante.
Parece-me ver tudo descolado do mundo.
Uma poesia escandalosa nua e obscena na sua cruel beleza...

FALAS DA CASTRO



Pedro,

Neste refugio onde a solidao é uma porta que nos fecha a boca,
o meu pensamento todo te é oferecido.
O silêncio testemunha desse dom e a meu recolhimento nele.
Nao quero ver para além do teu corpo
que me acolhe e onde me escondo,
nele encontro e bebo o mel do meu consolo.
Para quê este sofrimento que me tolhe a alma,
alagando os campos do Mondego
de tanta lagriam e dor ?

Para onde correm as sombras que caminham neles ?
Julguei mal a minha força, o cansaço fez-me prisioneira
cosendo-me a este espaço onde me guardas do mundo.
Adeus amor, o meu peito jà nao chora de te ver partir
e o meu braço é uma asa desprendida que te acena lentamente.
Senhor, eles jà me mataram antes do punhal.

Inez, Paris, Fevereiro 1994

Cartas de amor de Pedro e Inez

Me voici prête au dernier adieu, puisqu’il allège le peuplier

de ses feuilles sombres, tardives.

Il y a des roses qui habillent ma gorge de satin parfumé.

L’odeur m’apaise et la nuit rentre en moi par la bouche

Et fait éclater ma poitrine.

Ma peur se roule à tes pieds, se cache sous la terre que tu parcours.

Je suis l’oiseau poursuivi par les chiens d’un roi qui ignore tout de la passion.
Un insecte apeuré et ses ailes me crucifient à un destin

qui s’écrit par-delà un lit de pierre dentelée.

Je demande au vertige de ne pas rougir l’eau de notre fontaine,

qu’il tarde de le faire.

Le quart de lune décroisse encore sous le lourd

témoignage de ce crime.

Il est le seul témoin de cet abandon.

L’adieu est l’oraison que je répète au temps qu’ils me volent,

à la vie qui me reste.

Ma bouche ne bouge pas, elle boude.

Pedro, ne laisse pas la trahison lever le poignard

qui menace ma quiétude.

Reviens et protège-moi de tout ce qui me tue.

Fais-vite, le diable me colle son pas,

il me glace le visage de ses doigts impairs.

Inez, Paris Juin 1997